II Mostra de Pesquisas do Mestrado em Artes Cênica (PPGAC-UFAC)

O PRISMA – Práticas Interdisciplinares e Mostra Artística surge como um espaço de convergência entre pesquisa, experimentação e prática em Artes Cênicas. Com o propósito de fomentar diálogos interdisciplinares, o evento propõe um ambiente onde pesquisadores da pós-graduação, estudantes da graduação e a comunidade em geral possam trocar experiências e expandir perspectivas sobre os caminhos da cena contemporânea.
Nesta edição, o PRISMA se estrutura em três dias de atividades, nos quais serão apresentados trabalhos que transitam entre o teatro, a performance e a dança, promovendo reflexões sobre corpo, espaço, narrativa e experimentação artística. Além das apresentações, rodas de conversa complementam a programação, criando pontes entre teoria e prática. Vale ressaltar que nessa edição contaremos com egressos de outras turmas, que voltarão a Universidade para apresentar suas pesquisas e ampliar ainda mais os diálogos no campo da Arte Cênica – A Prática e a Educação.
Confira a Programação:
Primeiro Dia (20/03/2025) – Abertura do evento
O evento se inicia com a proposta “Imaginação”, de Felipe Cárceres, que propõe uma exposição poética sobre a formação de professores por meio da brincadeira. O trabalho convida o público a lançar olhares lúdicos sobre os caminhos possíveis da atuação docente, explorando a imaginação como um elemento central na construção do ensino e da experiência pedagógica.
Na sequência, Arthur José apresenta sua performance, que investiga a criação sonora em diálogo com a cosmovisão indígena, inspirada na arte de Ibã Huni Kuin. Integrando música e audiovisual, a proposta explora a produção de sons instrumentais misturados a fragmentos do filme “Nixi pae – O Espírito da Floresta”, criando uma ponte entre ancestralidade e experimentação artística. A performance se baseia no ensaio “Pontos de contato entre o pensamento antropológico e teatral”, traduzido por Ana Letícia de Fiori, que traz o primeiro capítulo do livro Between Theater and Anthropology (1985), de Richard Schechner.
Fechando a programação do primeiro dia, Maria Saliza apresenta a performance “Entre bêbados e loucos: O corpo-terra em que habito” (classificação 18+), uma investigação cênica sobre o lugar das mulheres travestis na sociedade. Amarrada, oscilando entre a embriaguez e a loucura, a personagem delira sobre sua história-histeria, em um embate contínuo entre o Eu e o Outro. No limiar entre o cômico e o trágico, entre a profanação e a performance sagrada, Maria Saliza se dissolve entre a cena e a própria existência.
Além deles, outros alunos apresentarão suas performances nesse dia, sendo eles: Silvana Queiroz, com O Imagético Jogo Teatral; Letícia Damasco: Receita; Lidson Martins: O Lamento de um Povo!

Segundo Dia (21/03/2025) – Cortejo, Encontros e Diálogos
Abrindo o segundo dia, Rylary Targino e Rafael Wöss conduzem o cortejo “Ritinha e Zé Mucura”, uma caminhada performativa que percorre os espaços da universidade. Entre cantorias, inspirações e brincadeiras, os personagens trilham caminhos contando histórias vivenciadas no encontro entre tempos distintos, pessoas diversas, seres encantados e espaços múltiplos. O cortejo transforma o campus em palco, convocando o público a embarcar em uma experiência de trânsito poético e coletivo, onde a memória e a imaginação se entrelaçam na trajetória dos caminhantes.
Em seguida, Thales Vasconcelos apresenta “Francisco Firmino”, um anfitrião que recebe o público em uma instalação intimista inspirada em um terreiro. Reunidos em roda, os espectadores são convidados a compartilhar um café enquanto Firmino conduz uma conversa aberta sobre identidade, pertencimento e os valores dos povos acreanos. A experiência transforma o ato de recepção em um momento de troca, onde a oralidade, o afeto e a partilha constroem uma cena de escuta e diálogo.
Teremos também, Ramon Souza Farias apresentando sua performance, que mergulha no luto como um estado de suspensão. Um jovem retorna do velório do pai, carregando no corpo o peso da despedida e no bolso o custo da perda. Entre reflexões mordazes e um humor ácido que tenta disfarçar a dor, ele se permite sentir. A música se torna seu canal de expressão: de Hurt, de Christina Aguilera, à explosão festiva de Formosa, de Nara Leão, o percurso do luto se transforma em espetáculo – onde a morte não é só fim, mas um convite para continuar.
Encerrando a noite, Amanara Brandão Lube, traz consigo a performance “Mundo-Refugo – 2° ato” aqui a pesquisa assume uma nova fase, em que a artista compartilha o resultado de sua pesquisa, abordando não apenas questões estéticas, mas também políticas e ambientais. O público será convidado a acompanhar o percurso da artista, desde a sua primeira performance até o estágio atual de sua obra, refletindo sobre as interseções entre a arte, o corpo e o meio ambiente. Em um momento em que o planeta clama por soluções para a crise ambiental e social, “Mundo-Refugo” se configura como uma reflexão urgente sobre as práticas de resistência, sobre a potência da arte como transformação e sobre a relevância da memória e da identidade negra nas narrativas de futuro.
Além desses artistas, teremos também Elissandra Pontes, com “CALEIDOSCÓPIO”, que aborda a relação entre o caleidoscópio e a dança popular, sendo uma metáfora poderosa para a riqueza e a diversidade cultural. Ambos celebram a beleza da transformação, a força da expressão comunitária e a importância de preservar as tradições culturais. Cada giro do caleidoscópio, assim como cada passo de dança, revela um novo universo de possibilidades, um novo arranjo de formas e cores que se dissolvem e se recriam em um fluxo contínuo.

Terceiro Dia (22/03/2025) – Encerramento e Reflexões
No terceiro dia, Andrea Nascimento apresenta “Quando toca o sinal”, um jogo entre realidade e representação que revela a potência do teatro, mesmo quando ele parece não caber no tempo escolar. Na sequência, teremos Angeani Macedo narra sua trajetória no ballet clássico por meio de uma performance que combina dança e narrativa, utilizando slides com fotos artísticas para ilustrar sua formação.
Felipe Barbosa traz um vídeo-dança, “Heranças do chão: Corpo, Memória e os Passos no Caminho”, que mergulha nas camadas do corpo como território de heranças. Inspirado nos conceitos da “política de chão” de Paul Carter e nas cartografias em movimento de Gilles Deleuze e Félix Guattari, o trabalho propõe que o próprio ato de dançar seja um exercício de reflexão. O artista se observa enquanto dança, registrando no gesto as histórias e marcas que o corpo carrega. Com cenas que transitam entre escrita reflexiva e múltiplas imagens do movimento, a obra convida o público a considerar o corpo como um arquivo vivo de experiências.
Ainda teremos o artista Paulo Maia, com a Performance “Confluência” uma reflexão poética sobre a cidade e o teatro. Do encontro entre rios, nasce uma cidade; no coração desta, uma joia resiste ao tempo e se renova – um teatro, personagem vivo da história de seu povo.
Encerrando o evento, Jobson Souza conduz um passeio pela Marujada Brig. Esperança, explorando suas origens, formas e relações de ensino e aprendizagem a partir do ponto de vista de um brincante.

O PRISMA é um convite à troca, à experimentação e à escuta sensível das múltiplas narrativas que emergem da cena. Que este espaço possibilite novas conexões e impulsione caminhos para a criação e a pesquisa em Artes Cênicas.
No encontro entre tempos, corpos e histórias, o PRISMA se faz rio, cena e memória. Convidamos vocês a mergulharem nessa experiência coletiva, onde a arte é fluxo, encontro e transformação. Venham compartilhar, sentir e criar conosco!
Texto: Cléber Felipe Arandeira
Arte: Cléber Felipe Arandeira
Sejam todos bem-vindos!